É um desafio para você retomar as aulas de violino com seu filho ou filha? Pois para mim, sempre é. Nina, agora com 9 anos, experimentando mudanças drásticas de humor e (ainda bem) querendo experimentar atividades diferentes sempre, considero um desafio delicioso esse retorno às aulas.
Quando ela diz que não quer mais tocar porque quer fazer aquilo ou aquilo outro, eu digo com todo o amor do mundo que esta é a educação musical que podemos lhe oferecer e quem portanto, ela vai continuar. Antes da primeira aula individual, um certo mau humor. Mas foi só a aula começar, com sua professora, trazendo duas músicas novas, brasileiras, com leitura à primeira vista, que Nina começou a tocar. Tranquila e satisfeita.
Enquanto isso, seu iemão, Gabriel de dois anos, me dava o maior trabalho, pois havia descansado pouco naquele dia e estava se resfriando. Resultado: prestei atenção ao que pude durante a aula e no fim, elas repetiram para mim o ponto importante da retomada às aulas: a postura de Nina e o "peso" que os quatro dedinhos devem fazer no violino, para que o dedão fique mais liberado e a mão esquerda, como um todo, mais relaxada.
Mas o mais surpreendente foi o dia seguinte, quando fomos assistir a uma aula de música que minha mãe iria dar para uma turma de crianças de uma Escola Parque. As crianças eram mais ou menos da idade da Nina e ela ficou tão empolgada com a apresentação da avó com sua amiga, que quer voltar na semana seguinte, quando elas falarão sobre os instrumentos de corda. A aula foi sobre a evolução da orquestra sinfônica e elas intercalaram explicações bem-humoradas com quatro vídeos maravilhosos de orquestras diferentes, tocando coisas diferentes. Teve Vivaldi, Mozart, Beethoven e Lully (?). Foi um barato! Parabéns, vovó!
Estou neste momento me preparando para chamá-la para tocar. Primeiro vamos lanchar e acho que depois, vou propor uma revisão de músicas conhecidas, tanto do livro 1, quanto do 2, tanto canções folclóricas. Vamos ver o que vai dar certo!... Até breve e... boa sorte!
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
"This is being a parent"
Quando eu conheci o João, meu marido, nós éramos professores de inglês na mesma escola. Tínhamos uma coordenadora brasileira, que havia passado a maior parte de sua vida em Nova York e estava voltando e se reestabelecendo no Brasil na época, a Juliana Braga.
Ela falava português enrolado, era praticamente da nossa idade (uns 20 e poucos), muito inteligente e tinha muitas "sacações" da vida. Foi ela quem nos ensinou duas coisas. Ela mantinha uma imagem da obra de Edvard Munch, o famoso quadro "O Grito", em cima da mesa, com os dizeres: It's only a job! (É só um emprego!). A outra era uma de suas frases favoritas, que ela soltava quando a gente conversava sobre contas, despesas, rotinas: This is being an adult! (Praticamente: ser adulto é isso aí!)
O título do post de hoje é uma adaptação deste simples, mas belo ensinamento que aprendi com esta amiga anos atrás: ser pai/mãe é isso aí. Estou lendo o livro Helping Parents Practice - Ideas for Making it Easier, de Edmund Sprunger lentamente e estou aprendendo muito. O intuito do livro, como diz claramente o título, é auxiliar os pais em como praticar em casa com seus filhos e dar sugestões para que a prática torne-se mais fácil.
Este autor é americano, violinista e dá aulas há mais de vinte anos para crianças. Além disso, ele tem formação em psicoterapia, mas não é pai! E eu acho este detalhe simplesmente magnífico! Uma pessoa que não tem filhos amar, se interessar e dedicar toda a sua vida e o seu amor às crianças.
Enfim, a questão não é essa. A questão é que o livro é muito claro, escrito de forma simples, direta e repetitiva para que nós, pais, responsáveis por nossas crias, desenvolvamos uma escuta e uma percepção mais ampla em relação a nós mesmos, mas, principalmente, em relação a nossas crianças, através do estudo da música, claro.
Ainda não terminei de ler o livro, mas posso adiantar que uma das lições mais importantes para mim é ficar calada. Com quatro anos de vivência com minha filha de prática em casa, começo a perceber a importância de, muitas vezes, ficar simplesmente calada durante a prática e/ou só ressaltar os aspectos positivos daquele momento. No fim das contas, o mais importante é simplesmente estar presente enquanto a criança toca e segurar minha ansiedade, ou minha tendência em interferir no processo dela.
A "Copa do Violino" terminou no sábado passado. A equipe de professores bolou uma aula super dinâmica e divertida para que todos os alunos, de todas as idades e níveis tocassem. Foi muito divertido. Ao final, as crianças deveriam mostrar suas cadernetas com seus gols marcados durante o semestre para receberem suas medalhas de participação. Nina ganhou medalha de ouro, suada e merecida, não só por ela, mas por mim, pois praticamos muito juntas.
Mas algumas crianças ganharam medalha de prata. O que me entristeceu não foi este fato, mas as conversas desgostosas e de imcompreensão que eu escutei de outras mães. Mal-educado da minha parte, claro. Mas eu não pude evitar escutar as mães dizerem que era um absurdo esta diferença de medalhas porque seus filhos não haviam tocado tanto. Francamante, de uma vez por todas: tomemos responsabilidade por nossas crianças! Se a criança não pratica em casa, é porque ela não foi estimulada a fazê-lo, é porque não teve o apoio, o ambiente ou sei lá o quê necessário. Vamos parar de culpar nossas crianças por nossas irresponsabilidades!
É muito fácil achar defeitos em tudo e em todos, nas escolas, nos cursos, nos professores, inclusive nas próprias crianças. Mas é muito difícil perceber e admitir que falhamos como pais em diversos momentos. E é aí que entra a minha frase do dia: this is being a parent. Ser pai e mãe é isso: é se responsabilizar 100%, é amar 1oo%. E digo mais, os pais que têm a oportunidade de praticar qualquer coisa com seus filhos, dedicando-se 100% àquela atividade com seu filho, com amor e responsabilidade, têm muita chance de aprender e dar a volta por cima. Pode ser difícil, mas não impossível. Vamos em frente!
Ela falava português enrolado, era praticamente da nossa idade (uns 20 e poucos), muito inteligente e tinha muitas "sacações" da vida. Foi ela quem nos ensinou duas coisas. Ela mantinha uma imagem da obra de Edvard Munch, o famoso quadro "O Grito", em cima da mesa, com os dizeres: It's only a job! (É só um emprego!). A outra era uma de suas frases favoritas, que ela soltava quando a gente conversava sobre contas, despesas, rotinas: This is being an adult! (Praticamente: ser adulto é isso aí!)
O título do post de hoje é uma adaptação deste simples, mas belo ensinamento que aprendi com esta amiga anos atrás: ser pai/mãe é isso aí. Estou lendo o livro Helping Parents Practice - Ideas for Making it Easier, de Edmund Sprunger lentamente e estou aprendendo muito. O intuito do livro, como diz claramente o título, é auxiliar os pais em como praticar em casa com seus filhos e dar sugestões para que a prática torne-se mais fácil.
Este autor é americano, violinista e dá aulas há mais de vinte anos para crianças. Além disso, ele tem formação em psicoterapia, mas não é pai! E eu acho este detalhe simplesmente magnífico! Uma pessoa que não tem filhos amar, se interessar e dedicar toda a sua vida e o seu amor às crianças.
Enfim, a questão não é essa. A questão é que o livro é muito claro, escrito de forma simples, direta e repetitiva para que nós, pais, responsáveis por nossas crias, desenvolvamos uma escuta e uma percepção mais ampla em relação a nós mesmos, mas, principalmente, em relação a nossas crianças, através do estudo da música, claro.
Ainda não terminei de ler o livro, mas posso adiantar que uma das lições mais importantes para mim é ficar calada. Com quatro anos de vivência com minha filha de prática em casa, começo a perceber a importância de, muitas vezes, ficar simplesmente calada durante a prática e/ou só ressaltar os aspectos positivos daquele momento. No fim das contas, o mais importante é simplesmente estar presente enquanto a criança toca e segurar minha ansiedade, ou minha tendência em interferir no processo dela.
A "Copa do Violino" terminou no sábado passado. A equipe de professores bolou uma aula super dinâmica e divertida para que todos os alunos, de todas as idades e níveis tocassem. Foi muito divertido. Ao final, as crianças deveriam mostrar suas cadernetas com seus gols marcados durante o semestre para receberem suas medalhas de participação. Nina ganhou medalha de ouro, suada e merecida, não só por ela, mas por mim, pois praticamos muito juntas.
Mas algumas crianças ganharam medalha de prata. O que me entristeceu não foi este fato, mas as conversas desgostosas e de imcompreensão que eu escutei de outras mães. Mal-educado da minha parte, claro. Mas eu não pude evitar escutar as mães dizerem que era um absurdo esta diferença de medalhas porque seus filhos não haviam tocado tanto. Francamante, de uma vez por todas: tomemos responsabilidade por nossas crianças! Se a criança não pratica em casa, é porque ela não foi estimulada a fazê-lo, é porque não teve o apoio, o ambiente ou sei lá o quê necessário. Vamos parar de culpar nossas crianças por nossas irresponsabilidades!
É muito fácil achar defeitos em tudo e em todos, nas escolas, nos cursos, nos professores, inclusive nas próprias crianças. Mas é muito difícil perceber e admitir que falhamos como pais em diversos momentos. E é aí que entra a minha frase do dia: this is being a parent. Ser pai e mãe é isso: é se responsabilizar 100%, é amar 1oo%. E digo mais, os pais que têm a oportunidade de praticar qualquer coisa com seus filhos, dedicando-se 100% àquela atividade com seu filho, com amor e responsabilidade, têm muita chance de aprender e dar a volta por cima. Pode ser difícil, mas não impossível. Vamos em frente!
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Essas crianças maravilhosas!


Fotos de Paulo Sá, na casa da Mia. Grata, sogrão!
A aula da semana passada foi o máximo! Hoje vou dar uma de mamãe coruja mesmo e babar um pouquinho. Explico. Há duas semanas, Nina leu com a professora durante a aula a Valsa de Bhrams e Luiza explicou como deveríamos estudá-la em casa. Como a divisão ternária de valsa não é evidente, ela deveria estudar como um "motorzinho", subdividindo tudo: semínimas viraram colcheias e semínimas com ponto também. Só depois de ter incorporado bem o ternário é que ela deveria tocar a música com as figuras e ritmo certo. Deu super certo!
Ou seja, uma semana depois, na aula passada, a música já era uma valsa! Então Luiza falou em como Nina deveria "colorir" a música, passando de uma nota a outra como se estivesse mudando os tons de laranja em um desenho, por exemplo. Sabe quando você quer passar de uma cor para outra sem interrupção, sem quebra? Era assim que ela deveria tocar essa música belíssima. Vovó Beth ainda acrescentou nesta semana, explicando que essa música era também chamada de Berceuse, pois ela realmente "embala" as crianças para dormir.
Pois bem: ontem fomos visitar uma amiga queridíssima da família, Mia, e Nina tocou a valsa. Era um presente para a Vovó Fátima, que tinha feito aniversário no dia anterior. Ficou lindo! Estavam presente muitas pessoas queridas e amadas, amigos que mais parecem da família, e o povo se emocionou! Depois de tocar sua música novinha em folha, sem errar nenhuma notinha, tocando com um belíssimo som, tudo colorido, ela quis tocar Asa Branca com os músicos presentes. Acompanhada por dois violões, fez um charminho, que não se lembrava direito das notas, mas tocou de novo! Linda! Os músicos depois continuaram, tinha mais violonistas e cantores, teve até saxofone! Mas Nina estava muito satisfeita com sua música e com as palmas, agradeceu e guardou seu instrumento.
O título do post traz crianças no plural! Isto porque Gabriel fez sua primeira "aula" com violino de borracha na semana passada também. Depois da aula da Nina, Luiza colocou o violino azul em seu queixo, o arco na mão direita, segurou e fez cho-co-la-te-quen-te. Ele ficou de olhos arregalados. Depois foi Luiza, depois eu e depois Nina. E ele acompanhou cada uma de nós prestando uma super atenção!... E... fim! Sua aula havia durado uns 45 segundos, onde ele prestou atenção o tempo inteiro! Não se cansou e talvez tenha percebido que o violino é especial. Não é um brinquedo qualquer. Ele envolve as pessoas que ele ama. E para mim, foi isso que ficou!
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sábado, 24 de abril de 2010
Músicos de Brasília tocam para as crianças na UnB
Hoje de manhã tivemos uma experiência única no Música para Crianças. Além da criançada, seus pais e queridos professores, o curso ficou mais vivo com a participação ativa de vários artistas da cidade.
Ricardo Dourado e sua equipe planejaram a "aula da visita", como é chamada, em homenagem à Brasília e seu aniversário com músicos convidados. Eles entravam de sala em sala e tocavam para as crianças. Passando de sala em sala eu vi os Ernest Dias (mamãe Beth, vovó Odette e tio Jaime), Renato Matos, Calouro e GOG, dentre outros que infelizmente não conheço o nome...
Foi uma festa linda: criançada violinista ouvindo flauta e violão, bebês do tamanho do Gabriel dançando reggae (ao violão: Bruno?) e ouvindo as belas e politizadas palavras do poeta e rapper GOG. E o grand finale: o ensaio da orquestra de cordas virou palco para mais encontros muisicais.
Houve apresentação das crianças da flauta doce, da orquestra de violinos, sob a batuta de Raphael Egídio. Quando Renato Matos subiu ao palco para tocar "Um telefone é muito pouco", ele rapidamente passou para o Ricardo e a orquestra de cordas, da qual João maridão e Nina fazem parte, as notas básicas da harmonia e o auditório cantou enquanto a orquestra fazia um arranjo improvisado e ótimo na hora!
Então, ao som de um Cânone composto em 1610 tocado pela orquestra, GOG compôs seu rap ali mesmo. Como Ricardo brincou: um encontro de música de 400 anos! Gente, ele fez uma música/poema só com palavras começadas pela letra "P"! Fiquei arrepiada e empolgadíssima com aquela inteligência e musicalidade. Eu, que ignorantemente não conhecia o artista, fiquei fã dele na hora. Confiram sua trajetória e trabalho aqui.
Depois, a orquestra emendou Juriti, de Aldo Justo e Paulo Tovar (o Liga Tripa, gente!), que está lindamente arranjada pelo Ricardo e tocada por esta orquestra tão especial! E o público depois cantou. Foi emocionante. E o Bis? É claro que teve Bis! Vassourinhas! E assim, em grande estilo de frevo nas cordas, terminou-se a belíssima festa de encontro musical brasiliense, entre crianças que fazem música, pais que a apreciam e profissionais que fazem da arte a sua vida! Viva!
Ricardo Dourado e sua equipe planejaram a "aula da visita", como é chamada, em homenagem à Brasília e seu aniversário com músicos convidados. Eles entravam de sala em sala e tocavam para as crianças. Passando de sala em sala eu vi os Ernest Dias (mamãe Beth, vovó Odette e tio Jaime), Renato Matos, Calouro e GOG, dentre outros que infelizmente não conheço o nome...
Foi uma festa linda: criançada violinista ouvindo flauta e violão, bebês do tamanho do Gabriel dançando reggae (ao violão: Bruno?) e ouvindo as belas e politizadas palavras do poeta e rapper GOG. E o grand finale: o ensaio da orquestra de cordas virou palco para mais encontros muisicais.
Houve apresentação das crianças da flauta doce, da orquestra de violinos, sob a batuta de Raphael Egídio. Quando Renato Matos subiu ao palco para tocar "Um telefone é muito pouco", ele rapidamente passou para o Ricardo e a orquestra de cordas, da qual João maridão e Nina fazem parte, as notas básicas da harmonia e o auditório cantou enquanto a orquestra fazia um arranjo improvisado e ótimo na hora!
Então, ao som de um Cânone composto em 1610 tocado pela orquestra, GOG compôs seu rap ali mesmo. Como Ricardo brincou: um encontro de música de 400 anos! Gente, ele fez uma música/poema só com palavras começadas pela letra "P"! Fiquei arrepiada e empolgadíssima com aquela inteligência e musicalidade. Eu, que ignorantemente não conhecia o artista, fiquei fã dele na hora. Confiram sua trajetória e trabalho aqui.
Depois, a orquestra emendou Juriti, de Aldo Justo e Paulo Tovar (o Liga Tripa, gente!), que está lindamente arranjada pelo Ricardo e tocada por esta orquestra tão especial! E o público depois cantou. Foi emocionante. E o Bis? É claro que teve Bis! Vassourinhas! E assim, em grande estilo de frevo nas cordas, terminou-se a belíssima festa de encontro musical brasiliense, entre crianças que fazem música, pais que a apreciam e profissionais que fazem da arte a sua vida! Viva!
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
Semana do desafio
Quem foi que disse que ser mãe ou pai era fácil? Agora mesmo, estamos eu e meu marido e Gabriel oficialmente proibidos de entrar no quarto da Nina. Há um aviso na porta, que está fechada.
Sim, eu me indispus com ela agora há pouco porque ela ficou muito tempo na frente do computador, brincando com CDs-ROM educativos. Ela achou um monte deles guardados e foi brincando. Quando deu uma hora e meia dessa brincadeira, eu dei o toque que já tava bom (pra mim). Ela, relutantemente, fechou tudo. Daí a alguns minutos, veio o pai e disse que ela estava de férias (duas semanas) e que ela queria mais. OK.
Eu tinha feito bolo e estava comendo com Gabriel, mas queria que ela estivesse aqui. Avisei. Ela, nem tchum. O pai foi lá, ela não escutou. Quando fui de novo, já estava bem irritada. Mas ela veio. Depois eu disse que ela deveria terminar o que estava fazendo. Eu estava me referindo ao notebook aberto. Ele entendeu o que queria: jogar mais. Aí fiquei pau da vida e nervosamente tirei o CD do compartimento...
Por que estou contando tudo isso? Não sei exatamente. Ainda não houve desfecho para esse desentendimento. Fico me perguntando se sou rigorosa demais, se deveria tê-la deixado jogando enquanto ela estava a fim até o momento que ela se cansasse... Mas não dei conta.
Eu queria dividir um pouco com vocês alguns momentos que não são fáceis. Esta semana ela me escreveu o seguinte bilhete: "Mamãe, não quero mais fazer violino. 1000 desculpas." Eu li aquilo e fiquei me perguntando o que estava por trás daquelas palavras. Eu a chamei, coloquei-a no colo e fomos conversar. Eu lhe disse que a música fazia parte dela e que ela a levaria por toda a sua vida, onde quer que ela fosse. Eu também disse a ela que, apesar de ser filha de músicos, eu não tive incentivo para estudar, e quando as coisas ficavam difíceis para mim, eu desistia.
Não é a primeira vez que ela me diz que quer parar de tocar. E ela toca há quatro anos. Se você me julgar, vai pensar que sou uma mãe insensível e cruel. Mas eu acredito que o caminho da música é um caminho sem volta. É claro que estou recuperando com ela a música da minha infância. É como cuidar de um jardim que esteve sempre lá, mas está cheio de mato. Ele esta lá, mas é preciso trabalho e carinho para colocá-lo de novo no mapa, por assim dizer.
Estudar música não é fácil. Pode ser que para alguns virtuoses, o caminho seja menos dolorido no que diz respeito à técnica, sei lá. Mas para as pessoas normais, é ralação mesmo. Porém, é um esforço que vem do lado do prazer, pois é delicioso escutar a própria música, poder tocar com outras pessoas, apresentar-se, enfim, é um mundo riquíssimo de muitas oportunidades.
Outra coisa que disse a ela é a sorte que ela tem de ter a oportunidade de aprender música de maneira tão lúdica e amorosa como tem sido feito desde a sua iniciação. Eu não tive essa sorte. Estudei nos moldes tradicionais, com trocentas aulas de teoria e sem o apoio em casa. Finalmente, ela confessou que há uma música no repertório da orquestra que ela está achando bem difícil. É o Concerto Grosso de Claúdio Santoro. Ontem passamos a música, fizemos solfejo e acho que ficou menos difícil.
Vamos ver se consegui chegar ao ponto. Além de me abrir e desabafar, e claro, estou aqui para dizer aos pais que não há mesmo formulinha de bolo de como ser "bom" pai ou mãe. Muitas vezes não é fácil, os filhos nos mostram coisas que precisamos ver e aprender em nós mesmos. E a gente erra. E muito. Mas estamos tentando acertar, não é? Então desejo a todos uma semana de olhares mais atenciosos e amorosos com nossas crianças, que, em princípio, podem tudo, pois estão iniciando a vida. E mais conversa, mais brincadeira, mais história e... mais música!
Sim, eu me indispus com ela agora há pouco porque ela ficou muito tempo na frente do computador, brincando com CDs-ROM educativos. Ela achou um monte deles guardados e foi brincando. Quando deu uma hora e meia dessa brincadeira, eu dei o toque que já tava bom (pra mim). Ela, relutantemente, fechou tudo. Daí a alguns minutos, veio o pai e disse que ela estava de férias (duas semanas) e que ela queria mais. OK.
Eu tinha feito bolo e estava comendo com Gabriel, mas queria que ela estivesse aqui. Avisei. Ela, nem tchum. O pai foi lá, ela não escutou. Quando fui de novo, já estava bem irritada. Mas ela veio. Depois eu disse que ela deveria terminar o que estava fazendo. Eu estava me referindo ao notebook aberto. Ele entendeu o que queria: jogar mais. Aí fiquei pau da vida e nervosamente tirei o CD do compartimento...
Por que estou contando tudo isso? Não sei exatamente. Ainda não houve desfecho para esse desentendimento. Fico me perguntando se sou rigorosa demais, se deveria tê-la deixado jogando enquanto ela estava a fim até o momento que ela se cansasse... Mas não dei conta.
Eu queria dividir um pouco com vocês alguns momentos que não são fáceis. Esta semana ela me escreveu o seguinte bilhete: "Mamãe, não quero mais fazer violino. 1000 desculpas." Eu li aquilo e fiquei me perguntando o que estava por trás daquelas palavras. Eu a chamei, coloquei-a no colo e fomos conversar. Eu lhe disse que a música fazia parte dela e que ela a levaria por toda a sua vida, onde quer que ela fosse. Eu também disse a ela que, apesar de ser filha de músicos, eu não tive incentivo para estudar, e quando as coisas ficavam difíceis para mim, eu desistia.
Não é a primeira vez que ela me diz que quer parar de tocar. E ela toca há quatro anos. Se você me julgar, vai pensar que sou uma mãe insensível e cruel. Mas eu acredito que o caminho da música é um caminho sem volta. É claro que estou recuperando com ela a música da minha infância. É como cuidar de um jardim que esteve sempre lá, mas está cheio de mato. Ele esta lá, mas é preciso trabalho e carinho para colocá-lo de novo no mapa, por assim dizer.
Estudar música não é fácil. Pode ser que para alguns virtuoses, o caminho seja menos dolorido no que diz respeito à técnica, sei lá. Mas para as pessoas normais, é ralação mesmo. Porém, é um esforço que vem do lado do prazer, pois é delicioso escutar a própria música, poder tocar com outras pessoas, apresentar-se, enfim, é um mundo riquíssimo de muitas oportunidades.
Outra coisa que disse a ela é a sorte que ela tem de ter a oportunidade de aprender música de maneira tão lúdica e amorosa como tem sido feito desde a sua iniciação. Eu não tive essa sorte. Estudei nos moldes tradicionais, com trocentas aulas de teoria e sem o apoio em casa. Finalmente, ela confessou que há uma música no repertório da orquestra que ela está achando bem difícil. É o Concerto Grosso de Claúdio Santoro. Ontem passamos a música, fizemos solfejo e acho que ficou menos difícil.
Vamos ver se consegui chegar ao ponto. Além de me abrir e desabafar, e claro, estou aqui para dizer aos pais que não há mesmo formulinha de bolo de como ser "bom" pai ou mãe. Muitas vezes não é fácil, os filhos nos mostram coisas que precisamos ver e aprender em nós mesmos. E a gente erra. E muito. Mas estamos tentando acertar, não é? Então desejo a todos uma semana de olhares mais atenciosos e amorosos com nossas crianças, que, em princípio, podem tudo, pois estão iniciando a vida. E mais conversa, mais brincadeira, mais história e... mais música!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Varrendo e vibrando
Como não se alegrar ao escutar "Vassourinhas"? Todo brasileiro que se preza gosta de ouvir aquelas notas e o ritmo inconfundível do frevo, sem letra, e todo mundo vai quase que solfejando junto: té-ru-ru-ru-ne-ró, to-ro-re-ro-no-ró!... E por aí vai! hahaha! Assim ficou muito engraçado!
Enfim, Nina agora está aprendendo esta música. Ela foi arranjada por Ricardo Dourado para a orquestra de cordas. Ela estava meio apreensiva, pois julgando pela parte, a música parece complicada mesmo. Tem uma hora em que ela deve tocar uma espécie de escala descendente e aí ela se apavorava e dizia que não dava mais para ler.
Porém, eu perguntei a ela se ela não conhecia a música. Começamos a cantá-la e dançá-la. Ela ficou animada. Eu disse que a música já estava dentro dela, que só precisava passar para o violino, que deixasse a coisa sair. E não é que deu certo? Acho que ela perdeu o medo. Vamos ver o que ela vai dizer sobre o ensaio do sábado que vem.
Há mais algumas novidades. Durante o Projeto Brasília Outros 50 (para saber mais, visite o blog deles aqui), as crianças do curso de violino vão tocar com uma banda de rock, cujo vocalista é um pai do curso. A música escolhida foi Índios, de Renato Russo. Sabem aqueles acordes que acompanham? Serão os pequenos violinistas! Ainda estou por fora dos detalhes, mas sei que vai rolar. Então em casa, também estamos estudando isso aí. Acho que vai ficar 10, ou melhor, 50, com a cara de Brasília!
Outra parte do nosso estudo é o Vibratto. Luiza passou para Nina uns belos acompanhamentos (coisas que ela trouxe do Texas), parece-me do próprio método Suzuki, tipo uma segunda voz para o livro 1. Muito legal. Nina começou a "vibrar" no ano passado, por imitação. Ela via seu professor, Raphael Egídio, vibrando sempre e bonito. Acho que começou a reparar na Letícia, uma amiga um pouco mais velha e experiente, durante os ensaios da orquestra. Na época, Raphael me disse que começava assim mesmo. E acho que chegou a hora de começar a "formalizar" essa parte do estudo do violino, que me parece tão complexa.
Mas Luiza foi categórica: você pode ler as informações que o autor dá. Mas Nina não precisa saber desse técnica. O importante agora é ela relaxar e não tensionar a mão esquerda enquanto faz a corda vibrar mais. Fizemos o primeiro dueto ontem. Remando Suavemente, música 2 do livro 1. Ela na sua segunda voz com vibratto, e eu, na melodia, na flauta contralto. Ficou muito legal!
Bons estudos, boas risadas e aprendizados com seus filhos! Até!
Enfim, Nina agora está aprendendo esta música. Ela foi arranjada por Ricardo Dourado para a orquestra de cordas. Ela estava meio apreensiva, pois julgando pela parte, a música parece complicada mesmo. Tem uma hora em que ela deve tocar uma espécie de escala descendente e aí ela se apavorava e dizia que não dava mais para ler.
Porém, eu perguntei a ela se ela não conhecia a música. Começamos a cantá-la e dançá-la. Ela ficou animada. Eu disse que a música já estava dentro dela, que só precisava passar para o violino, que deixasse a coisa sair. E não é que deu certo? Acho que ela perdeu o medo. Vamos ver o que ela vai dizer sobre o ensaio do sábado que vem.
Há mais algumas novidades. Durante o Projeto Brasília Outros 50 (para saber mais, visite o blog deles aqui), as crianças do curso de violino vão tocar com uma banda de rock, cujo vocalista é um pai do curso. A música escolhida foi Índios, de Renato Russo. Sabem aqueles acordes que acompanham? Serão os pequenos violinistas! Ainda estou por fora dos detalhes, mas sei que vai rolar. Então em casa, também estamos estudando isso aí. Acho que vai ficar 10, ou melhor, 50, com a cara de Brasília!
Outra parte do nosso estudo é o Vibratto. Luiza passou para Nina uns belos acompanhamentos (coisas que ela trouxe do Texas), parece-me do próprio método Suzuki, tipo uma segunda voz para o livro 1. Muito legal. Nina começou a "vibrar" no ano passado, por imitação. Ela via seu professor, Raphael Egídio, vibrando sempre e bonito. Acho que começou a reparar na Letícia, uma amiga um pouco mais velha e experiente, durante os ensaios da orquestra. Na época, Raphael me disse que começava assim mesmo. E acho que chegou a hora de começar a "formalizar" essa parte do estudo do violino, que me parece tão complexa.
Mas Luiza foi categórica: você pode ler as informações que o autor dá. Mas Nina não precisa saber desse técnica. O importante agora é ela relaxar e não tensionar a mão esquerda enquanto faz a corda vibrar mais. Fizemos o primeiro dueto ontem. Remando Suavemente, música 2 do livro 1. Ela na sua segunda voz com vibratto, e eu, na melodia, na flauta contralto. Ficou muito legal!
Bons estudos, boas risadas e aprendizados com seus filhos! Até!
terça-feira, 6 de abril de 2010
A brincadeira do ECO
Depois da "aula da mamãe", Nina e eu não tivemos oportunidade de estudar. Ela viajou com seus avós paternos e seus primos. Passaram cinco dias em Gramado e Canela, na maior diversão, em plena Páscoa! Chegou até a ficar enjoada de chocolate, isso já no segundo dia! Mas se divertiu muito, visitou muitos lugares, viu a parada da Páscoa e até o Templo Budista. Adorou!
Enquanto ela estava fora, Gabriel (que agora tem 1 ano e 9 meses) e eu cantamos muito. Ele tem estado muito atento às músicas, sabe reconhecê-las e pede as que quer ouvir. Para a sua próxima aula de música, nós tínhamos que preparar um palquinho (sim, pais Suzuki, o mesmo palco usado pelos grupos pré-estrelinha e estrelinha) e preparar uma músico para cantarmos na aula, com as outras crianças e seus pais.
Pensei em cantar o clássico dos Saltimbancos ("au au au, io i-ó, miau miau miau, cocorocó"), mas decidi mesmo pela "Música do Eco", do Bloco da Palhoça. Este grupo, formado há 30 anos atrás, tem este disco gravado, que minha mãe ressuscitou e mandou passar para CD para os netos. Sucesso total! Gabriel e Nina adoram todas as músicas! São simples, bem musicadas, com arranjos com violão, flauta doce, muita percussão, várias vozes, enfim, um trabalho carinhoso para as crianças.
Não tive mais dúvidas. Esta música é simples, curta e usa vários elementos. Eu até vou fazer o looping na flauta doce, pois é bem facinho. Começo na flauta, depois canto. Biel participa acompanhando o que é dito, tipo: bater palmas e pés, depois tocar as partes do corpo e por fim, repetir os diferentes sons produzidos pela boca (sua parte preferida, claro). Já fizemos alguns "ensaios" e me parece que ele já entendeu o recado. Enquanto eu toco e canto, ele fica dançando e participando do seu jeito.
Esta ideia do palquinho é um negócio bem simples, mas que tem dado muito resultado no curso de violino. Eu reconheci a ideia quando Ricardo Dourado propôs a atividade na última aula. Para mim, o mais legal disso tudo é fazer isso com Gabriel. Escolher a música, confeccionar o palquinho e convidá-lo a "subir ao palco" comigo para cantarmos juntos algo que ele conhece e gosta. A "apresentação" na sala, se ocorrer, vai ser muito legal, mas com certeza não será o ponto forte para ele. Começo a entender cada vez mais que o mais importante é o que acontece no dia-a-dia.
Ontem eu estava muito cansada e irritada. Na hora que fui afinar o violino da Nina, Gabriel (que também estava cansado e irritado), começou a gritar porque queria porque queria brincar com o afinador. Fiquei muito brava e briguei com ele. Perdi a paciência e disse que não teríamos violino naquele dia. Fazer o quê? Nina, que estava meio na preguiça, ficou chateada, pois iria perder um gol do violino, mas ela sabe que poderá recuperá-lo depois.
Bom, estou contando isso para dizer que as coisas nem sempre saem do jeito que imaginamos ou gostaríamos. Infelizmente eu gritei com meus filhos, mas tomei a decisão certa para mim ontem: eu precisava de espaço. Fui sincera e pedi desculpas. A melhor coisa que fiz foi ir para a cama às 8 da noite (pregada). Hoje é um novo dia e recomeçaremos. Bons momentos com seus filhos!
Enquanto ela estava fora, Gabriel (que agora tem 1 ano e 9 meses) e eu cantamos muito. Ele tem estado muito atento às músicas, sabe reconhecê-las e pede as que quer ouvir. Para a sua próxima aula de música, nós tínhamos que preparar um palquinho (sim, pais Suzuki, o mesmo palco usado pelos grupos pré-estrelinha e estrelinha) e preparar uma músico para cantarmos na aula, com as outras crianças e seus pais.
Pensei em cantar o clássico dos Saltimbancos ("au au au, io i-ó, miau miau miau, cocorocó"), mas decidi mesmo pela "Música do Eco", do Bloco da Palhoça. Este grupo, formado há 30 anos atrás, tem este disco gravado, que minha mãe ressuscitou e mandou passar para CD para os netos. Sucesso total! Gabriel e Nina adoram todas as músicas! São simples, bem musicadas, com arranjos com violão, flauta doce, muita percussão, várias vozes, enfim, um trabalho carinhoso para as crianças.
Não tive mais dúvidas. Esta música é simples, curta e usa vários elementos. Eu até vou fazer o looping na flauta doce, pois é bem facinho. Começo na flauta, depois canto. Biel participa acompanhando o que é dito, tipo: bater palmas e pés, depois tocar as partes do corpo e por fim, repetir os diferentes sons produzidos pela boca (sua parte preferida, claro). Já fizemos alguns "ensaios" e me parece que ele já entendeu o recado. Enquanto eu toco e canto, ele fica dançando e participando do seu jeito.
Esta ideia do palquinho é um negócio bem simples, mas que tem dado muito resultado no curso de violino. Eu reconheci a ideia quando Ricardo Dourado propôs a atividade na última aula. Para mim, o mais legal disso tudo é fazer isso com Gabriel. Escolher a música, confeccionar o palquinho e convidá-lo a "subir ao palco" comigo para cantarmos juntos algo que ele conhece e gosta. A "apresentação" na sala, se ocorrer, vai ser muito legal, mas com certeza não será o ponto forte para ele. Começo a entender cada vez mais que o mais importante é o que acontece no dia-a-dia.
Ontem eu estava muito cansada e irritada. Na hora que fui afinar o violino da Nina, Gabriel (que também estava cansado e irritado), começou a gritar porque queria porque queria brincar com o afinador. Fiquei muito brava e briguei com ele. Perdi a paciência e disse que não teríamos violino naquele dia. Fazer o quê? Nina, que estava meio na preguiça, ficou chateada, pois iria perder um gol do violino, mas ela sabe que poderá recuperá-lo depois.
Bom, estou contando isso para dizer que as coisas nem sempre saem do jeito que imaginamos ou gostaríamos. Infelizmente eu gritei com meus filhos, mas tomei a decisão certa para mim ontem: eu precisava de espaço. Fui sincera e pedi desculpas. A melhor coisa que fiz foi ir para a cama às 8 da noite (pregada). Hoje é um novo dia e recomeçaremos. Bons momentos com seus filhos!
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